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24 de julho de 2017

Antígona com Andrea Beltrão - Blog e-Urbanidade

Programa de Antígona
Em cartaz no SESC Santo André
A Antígona de Andrea Beltrão não é aquela Antígona puro-sangue de Sófocles, montada e remontada em teatros ao redor do mundo. A montagem dirigida por Amir Haddad, com dramaturgia de Amir e Andrea, é forte, dramática, mas, diria, com uma linguagem muito mais pedagógica ao assistidor.

Quem não, um dia, ao sair de alguma tragédia dessas, ficou confuso com os nomes dos personagens e das cidades? Se isso não aconteceu, com certeza um preparo foi feito para assistir ao espetáculo. Só assim é possível compreender a potência da última cena com, normalmente, a morte dos seus principais personagens por assassinato ou suicídio.

Antígona de Andrea Beltrão e Amir Haddad traz trechos da heroína e seus interlocutores para explicar o seu drama. Para isso um grande painel com a árvore genealógica é exposto no fundo do palco, desde Zeus a Creonte, para clarificar acontecimentos, suas relações e personagens.

Assim, essa Antígona pode ser compreendida, porém sem toda a força política presente no texto original. Afinal o grande drama da heroína é o de seguir as leis dos homens ou aquelas que existem desde que o mundo é mundo. De qualquer forma, Haddad constrói um espetáculo que conversa com quem assiste. O que mais esperar de uma boa encenação?

Quando se entra no auditório, Andrea já está lá esperando pelos seus expectadores, dando boa noite, como se estivesse no camarim aguardando pelo terceiro sinal.  Com a quebra da quarta parede fica inevitável a aproximação com o jogo cênico que vai começar. E dai, a perfeita interpretação da atriz faz de Antígona um espetáculo vigoroso, forte e imperdível.

A experiência do diretor em montagens em teatro de rua torna a relação da atriz muito mais próxima e visceral. Inclusive o jogo com elementos de cena e da encenação para representar seus personagens é um dos destaques de Antígona. É fascinante quando tecidos, capas ou o simples ato de esconder os olhos fazem com que o expectador compreenda esse ou aquele personagem. Essa, na verdade, é a grande mágica do teatro.

Antígona já ficou em cartaz no Rio de Janeiro e viajou por algumas cidades do Brasil. Chegou a São Paulo pelo SESC, com sessões esgotadas. Assisti, no último fim de semana no SESC Santo André. Agora, é ficar de olho na internet sobre novas apresentações, afinal o espetáculo é imperdível, tanto pela criativa montagem como pela interpretação de Andrea Beltrão.

22 de julho de 2017

Okja - 4 motivos para assistir - Blog e-Urbanidade

Okja - disponível no NetFlix
Okja é um filme imperdível por, pelo menos, 4 motivos: 1) está disponível apenas na plataforma streaming do NetFlix, assim não é possível assisti-lo no cinema; 2) a mão do diretor Joon-Ho Bong é autoral e única, como a de diretores Woody Allen ou Tim Burton; 3) atores conhecidos de grandes produções (como Jake Gyllenhaal,Paul Dano, Giancarlo Esposito) interpretam personagens bem diferentes e inusitados e, por fim; 4) tem um roteiro inédito e com uma crítica severa e inteligente sobre o capitalismo e suas consequências.

Okja foi apresentado no festival de Cannes de 2017 e causou reboliço, principalmente por trazer uma severa alteração no mercado cinematográfico ao ser lançado exclusivamente no NetFlix. Então, filmes de alta qualidade técnica para chegar ao público não precisam necessariamente serem projetados no cinema. Será que podem ser avaliados em grandes festivais? Essas e outras questões começam a ser discutidas.

O diretor Joon assina a direção e o roteiro, sendo esse em conjunto com Jon Ronson, de linhas cômicas e dramáticas fortes, com estética de anime. Cheio de reviravoltas, é possível não encontrar nenhum minuto de descanso até a metade da película quando o script toma um ar mais crítico. Aí já se está totalmente envolvido com a jornada de Mija (Seo-Hyun) ao salvar seu porco gigante, Okja.

Se atores reclamam que são sempre escalados para os mesmos personagens, a atuação do elenco é um caso à parte. Com certeza encontrar Tilda Swinton fazendo tipos diferentes não é nenhuma surpresa, mas Gyllenhaal é quase irreconhecível em sua atuação. Incluindo vários outros atores e, o melhor, mesmo diante do tom operístico (não sei se existe esse termo!), não caem na simples caricatura.

Quem um dia não criou em casa uma galinha ou porco e a mãe, de repente, avisa que o animal vai ser o almoço de amanhã? Esse é o ponto de partida da história, porém aqui o porco é gigante e é um experimento da empresa Mirando. Não existe a opção de deixá-lo viver. Enquanto tenta resgatar Okja, a garota encontra um grupo radical de resgate à animais. Assim, a ação está garantida.

A cena final, o clímax, é forte, bem escrita e uma verdadeira crítica ao mundo dos abatedouros de animais e do capitalismo. Chega a ser genial! O difícil é não terminar com culpa de ter comido qualquer tipo de carne na última refeição (ou na próxima).

Okja vale por todos esses motivos e sua capacidade de entreter.

Bom filme!

19 de julho de 2017

A Bela e a Fera - o Musical - Blog e-Urbanidade

Musical A Bela e a Fera
Foto: Divulgação
Um dos maiores clássicos de animação do cinema chega aos palcos em um espetáculo com mais de 30 atores, com músicos de orquestra ao vivo e uso da tecnologia para interagir personagens e cenário. Dividida em dois atos, a apresentação tem uma hora e meia de duração.

A apresentação será no sábado, 29 de julho, às 20h, no Grande Auditório do Anhembi (Av. Olavo Fontoura, 1209, Santana). Os ingressos, todos com cadeira numerada, podem ser adquiridos no site www.ticketbrasil.com.br. Os preços variam de R$ 40,00 a R$ 180,00 (VIP com direito a foto com os personagens no final).

Com uma estrutura grandiosa de equipe e cenário, o musical encanta o público de todas as idades. O elenco conta com mais de 30 atores, bailarinos e cantores e músicos de orquestra ao vivo. O destaque é a atriz Flávia Mengar, intérprete da Bela, protagonista de outros importantes trabalhos teatrais, como a Dorothy, de “O Mágico de Oz”, e a Ariel, de “A Pequena Sereia”.

São mais de 200 diferentes figurinos, assinados por Bruno de Oliveira, um dos mais respeitados profissionais brasileiros, inclusive por ter sido o responsável por vestir os artistas que participaram do show de abertura da Copa do Mundo, em 2014.

A direção é de Bruno Rizzo, conhecido por outros importantes trabalhos como “Aladim” e “Broadway Nights”. A turnê pretende percorrer pelo menos 30 grandes cidades brasileiras, como São Paulo, Rio de Janeiro, Recife, Salvador, Goiânia, Brasília, Ribeirão Preto, Paulínia, Londrina, Maringá, Maceió, Joao Pessoa, Joinville, São José do Rio Preto, Sorocaba, Porto Alegre, Florianópolis, Natal, Fortaleza, Belo Horizonte e Juiz de Fora, entre outras.

Serviço
Grande Auditório do Anhembi (Av. Olavo Fontoura, 1209, Santana)
Sábado, 29 de Julho - 20h
Vendas Online pelo www.ticketbrasil.com.br

18 de julho de 2017

Nu, de Botas - a peça - Blog e-Urbanidade

Cena do espetáculo Nu, de Botas
Foto: Renato Mangolin - Divulgação SESC
Está em cartaz no SESC Belenzinho até 23 de julho/2017, a adaptação para o teatro do livro homônimo do colunista da Folha, Antônio Prata, a peça Nu, de Botas. Leve, divertido e com toda aquela veia cômica do cronista, a montagem é extremamente competente na tarefa de importar o universo infantil do autor para o palco.

Nu, de Botas acerta na dramaturgia assinada por Cristina Moura e Pedro Brício, pois mesmo partindo de uma obra literária cheia de comicidade, essa transposição poderia falhar. Por sua vez é possível perceber a mão da diretora Cristina Moura, também coreógrafa, ao propor uma montagem coreografada da posição dos atores e transições de cenas. A forma de costurar as histórias com elementos dramatúrgicos e de direção aproximam o público da visão de mundo de Antônio criança. 

Capa do livro Nu, de Botas
Cenários, iluminação e sonoplastia são simples e colaboram ao compor esse universo. Os atores (Isabel Gueron, Keli Freitas, Luciana Paes, Pedro Brício, Renato Linhares, Thiare Maia Amaral) são eficientes em cena, mas não regulares. Mesmo assim, não compromete a montagem.   

Um dos trunfos do texto de Antônio Prata, perceptível na montagem teatral, é o de apresentar o universo infantil pelo olhar de uma criança e não pelo do adulto. E assim, o público vai sendo levado a (re)viver e a (re)significar a sua própria história. Imperdível para quem teve sua infância nos anos 80!

Nu, de Botas, a peça, também acerta na crescente apresentação das histórias. À medida que o espetáculo avança, as histórias vão ficando mais engraçadas e o público, mais próximo. Deixando de vez a quarta parede que separa público e atores.

Sem dúvida, uma das boas atrações teatrais em cartaz na cidade.

Serviço:
Sesc Belenzinho
Rua Padre Adelino, 1000 Belenzinho – São Paulo (SP)
(11) 2076-9700
www.sescsp.org.br/belenzinho
Sextas e sábado (21h30), domingo (18h30)
Não recomendado para menores de 14.
Ingressos: R$ 20,00 (inteira); 10,00 (aposentado, pessoa com mais de 60 anos, pessoa com deficiência, 10,00 estudante e servidor da escola pública com comprovante) e R$ 6,00 (trabalhador do comércio de bens, serviços e turismo credenciado no Sesc e dependentes).
Venda pelo Portal Sesc SP (www.sescsp.org.br) e unidades do Sesc. 

16 de julho de 2017

Restaurante Jesuíno Brilhante - Blog e-Urbanidade

Jesuíno Brilhante
Foto do instagram @jesuinobrilhante
O simpático restaurante Jesuíno Brilhante, de comida sertaneja do Rio Grande de Norte, é um lugar pequeno, despretensioso, agradável e reúne gente descolada em Pinheiros. Assim que se chega ao lugar, com espera que pode levar mais de uma hora, cadeiras de praia e banquetas simples espalhadas pela calçada chamam a atenção de qualquer passante.

Na espera é possível pedir uma cerveja e as entradas: bolinho de feijão de corda com paçoca, bolinho de arroz vermelho ou bolinho de macaxeira com carne seca. Todas as opções são bem apetitosas e vale experimentar.

À mesa, Jesuíno Brilhante oferece carne de sol (tradicional bovina, porco, cupim ou ancho) com duas opções de acompanhamento como arroz de leite cremoso, feijão de corda, macaxeira, cuscuz entre outros. Servidos em vasilhas de alumínio rústicas valorizam o objetivo de criar uma experiência ao cliente, presente também na decoração. A imersão cultural proposta na ambientação e gastronomia é um dos pontos altos do restaurante.

Os pratos possuem alguns problemas pequenos de execução, mas o sabor é muito bom e vale o preço justo cobrado. Por exemplo, a macaxeira estava bem macia e cremosa, mas um ponto a mais e o vinagrete bem sem graça. Também a apresentação, mesmo que a proposta seja explicitar a aridez dos ingredientes e da comida sertaneja, precisa um pouco mais de cuidado. De qualquer forma, o paladar garante o sucesso do lugar.

As sobremesas também valem ser experimentadas, acompanhadas de queijo coalho. Quebra-queixo e a cocada mole pareceram ser as melhores opções.

Falar do atendimento nem sempre é simples, pois depende da ocasião, certo? A avaliação de qualquer restaurante tem que ter como premissa o sabor e a comida, por isso recomendo a ida ao Jesuíno Brilhante. Na espera, por exemplo, o demasiado simpático atendente precisava ser lembrado várias vezes em trazer uma cerveja. Isso vi acontecer com outras rodas de espera.

Tivemos o azar de esperar quase uma hora pelos pratos, após o pedido. Quando reclamamos, ao invés dos garçons pedirem desculpas, por exemplo, foram mal educados. Depois, um dos responsáveis tentou tirar a má impressão, mas não funcionou tanto. Porém, acreditamos que o acontecido tenha sido pontual, já que o Jesuíno Brilhante parecer ter uma clientela fiel e cativa.

Recomendo, mas vá com paciência para esperar.

Serviço:
Rua Arruda Alvim, 180, Pinheiros.
São Paulo

12 de julho de 2017

I Am Michael e Michael Lost and Found - Blog e-Urbanidade

Eu Sou Michael tem
James Franco como estrela
Dois filmes disponíveis no NetFlix merecem atenção. O longa-metragem Eu Sou Michael  (2015 - I am Michael) trata-se de uma ficção narrando a história real de Michael Glatze (James Franco) que deixou a militância glbt, tornando-se um "ex-gay" por causa da religião.  Em seguida, é possível assistir o documentário, com apenas 19 minutos, do reencontro dele com seu ex-namorado (Bennett - no longa interpretado por Zachary Quinto) em Michael Lost and Found. Sugiro ver os dois, sequencialmente.

Dirigido e roteirizado por Justin Kelly, Eu Sou Michael tem o argumento baseado no estranhamento de Michael diante da finitude e em encontrar um espaço para lhe dar com essa questão no universo gay. A jornada do protagonista não deixa de ser uma forma de resolver seu drama, mesmo que alguns possam questiona-la.

O inevitável estranhamento de Eu Sou Michael é o caminho inverso do protagonista. Sendo um militante e difusor da cultura gay, tanto como editor de revista e diretor de um documentário - ah, ainda vive uma relação a três em determinada fase -, em certo momento "volta para o armário", por questões religiosas.

O longa-metragem tem boas qualidades técnicas, as interpretações são comedidas, mas convincentes, e não existe a preocupação em ter uma direção pesada e marcante. Por isso, em pouco mais de noventa minutos têm-se uma boa história para pensar. James Franco também pode ser visto em outro filme intrigante, com tema gay, do mesmo diretor no NetFlix: King Cobra.

Michael Lost and Found
documentário de
Daniel Wilner
Já o documentário Michael Lost and Found (2017 - dirigido por Daniel Wilner) é curto e não chega a se destacar por suas qualidades cinematográficas. Mesmo assim, vale a pena ver em seguida. Após o lançamento do longa em 2015 e diante da repercussão, Bennett, ex-parceiro de Michael, vai encontrá-lo. Grava-se sua ida, a conversa deles na casa do ex-companheiro, com a esposa ao lado, e visitam a igreja dirigida pelo casal. Por incrível que pareça o tom do encontro é leve e de muitas lembranças, risos e lágrimas.

Fica claro no documentário que Michael não foi um herói que encontrou a redenção em sua jornada. De forma alguma isso desmerece ou esvazia o caminho do protagonista, mas pode esclarecer. E a última cena de Michael Lost and Foud, quando os dois ex-parceiros se despedem, é o momento mais impactante e emocionante nessa trajetória.

Os dois filmes devem ser assistidos sem procurar respostas, afinal o universo gay e a religiosidade são ainda caminhos dicotômicos, quase sem interação. É muito comum jovens deixarem igrejas, principalmente protestantes e evangélicas, quando saem do armário. Isso é fato! Sabe-se que alguns movimentos, como a Igreja Cristã Contemporânea e outros grupos, têm procurado essa aproximação. Mas, essa não foi a trilha de Michael.

Assistem, pensem e não procurem receitas fáceis e automáticas, afinal precisamos falar sobre isso!

10 de julho de 2017

Paris Pode Esperar - Blog e-Urbanidade

Paris Pode Esperar
com a bela Diane Lane
Paris Pode Esperar é o típico filme de sessão da tarde: leve, despretensioso e sem grande dramas. Dirigido por Eleonor Coppola (mãe de Sophia e esposa de Francis Coppola), o longa-metragem tem lindas imagens do interior da França e muita comida e vinho bons. Em alguns momentos têm ares de Comer Rezar Amar.

A diretora Eleonor Coppola assinou alguns documentários e Paris Pode Esperar é sua primeira incursão em ficções. Bom ver uma diretora com mais de oitenta anos produzindo e mudando de linguagem.

Estrelado por Diane Lane, Alec Baldwin e Arnaud Viard, o filme aposta na história de um casal de meia-idade em crise: ela passando pela fase do ninho vazio, após a saída da filha de casa, e o marido por ser um workholic. Então, embarca em uma viagem  de carro até Paris com o bon-vivant interpretado por Arnaud.

O francês é exatamente o oposto do marido, ou seja, o que importa é curtir a vida. E aí, Paris Pode Esperar aposta em um roteiro esquemático, com tiradas sem muito sentido e sem grandes viradas. Vale mesmo pelas belas imagens, os deliciosos pratos e a quantidade de vinho que se bebe em cena.

O roteiro de Eleonor incomoda pelas cenas quase sequenciais de apresentação de conflito e sua resolução em seguida. Por exemplo, Anne (personagem de Diane) vê Jacques (Arnaud) conversando com um garoto e na próxima sequência comenta a facilidade dele com crianças e o questiona sobre não ser pai. Coisas assim aparecem várias vezes no script.

Por outro lado, mesmo sem aprofundar muito, a solução do conflito principal sai fora do lugar comum e é convincente.

Por fim, é razoável a atuação do trio de estrelas, mesmo sabendo o quanto é difícil para o ator interpretar personagens mornos.

De qualquer forma, Paris Pode Esperar está em cartaz e vale para quem gosta de histórias leves e com belas imagens (e comida). No mais, vale a pena mesmo esperar (o trocadilho é inevitável!) entrar em algum canal de streaming.

8 de julho de 2017

Filme holandês Boys disponível no NetFlix - Blog e-Urbanidade

Filme holandês - Boys
O fato é que Boys (Jonges - disponível no Netflix) não é um daqueles filmes contundentes sobre a "descoberta" do interesse homoafetivo de um garoto pelo seu amigo. Mesmo que o estranhamento e a crise pessoal estejam ali, a diretora holandesa Mischa Kamp, nessa produção para a televisão, aposta em um ritmo lento, com paciência e foco nos detalhes para apresentar a trajetória de Sieger (Gijs Blom).

Boys parece beber de duas fontes brasileiras sobre o tema, inclusive com personagens na mesma faixa etária: Hoje Eu Quero Voltar Sozinho e Beira-Mar. Aliás, a estética do filme holandês lembra muito esse último longa-metragem brasileiro.

Boys é um filme curto, 78 minutos, mas consegue apresentar bem a história dos dois garotos e a relação familiar de Sieger, sem sobressaltos. Este parece ser o ponto alto do longa-metragem: a delicadeza em tratar a homoafetividade na adolescência. Por outro lado, a crítica especializada não gostou muito desse tom suave.

Mesmo assim, o filme tem bons elementos como produção. Os diálogos são bons e o uso de imagens e detalhes de rostos e acontecimentos fazem do roteiro um bom exemplo de uma obra audiovisual. Por exemplo, a cena em que o pai está sentado, arrasado, após o filho mais velho dizer que o odeia é tocante e consegue dizer tudo, sem nenhuma palavra (e até mesmo lágrima).

Vale assistir Boys pela qualidade cinematográfica perceptível nas imagens e na forma de contar a história. Mesmo que o roteiro aposte em um tom delicado, não deixa de fora o drama de um adolescente se perceber atraído por outro amigo. E sem querer fazer spoiler, a última cena me lembrou muito a sequência final de Hoje Eu Quero Voltar Sozinho.

Está disponível no Netflix e não deixe de ver. 

 

5 de julho de 2017

Documentário Divinas Divas - Blog e-Urbanidade

Marquesa, na foto do cartaz de Divinas Divas, é
uma das homenageadas ao final do documentário
O documentário Divinas Divas que está em cartaz em algumas salas de cinema pelo Brasil precisa ser analisado por duas diferentes perspectivas. A primeira é como uma obra autoral da atriz, aqui diretora, Leandra Leal retratando acontecimentos e fatos de sua família, ou seja, um caráter extremamente afetivo sobre o tema. Por outro lado, como uma produção cinematográfica e suas características técnicas e artísticas.

A história pessoal de Leandra Leal está intimamente relacionada com suas Divinas Divas: Rogéria, Jane Di Castro, Divina Valéria, Camille K, Eloína dos Leopardos, Fujika de Halliday, Marquesa e Brigitte de Búzios. Os shows de transformistas no Brasil nos anos 1970 a 1980 nasceram no Teatro Rival, no Rio de Janeiro, de propriedade de sua família.

Com a premissa de criar um show para reunir o grupo das Divinas Divas, o documentário apresenta entrevistas e momentos dos ensaios que precedem o espetáculo. Recortes de jornais, filmagens e fotos de acervos pessoais ajudam a reconstruir aquele momento e suas histórias.

Leandra Leal não tem a preocupação de ser uma entrevistadora oculta. Por outro lado é perceptível o carinho das Divinas com ela, tornando todos os relatos extremamente carinhosos.

A montagem apresenta de forma cadenciada a história do teatro Rival, uma contextualização histórica dos shows de transformistas daquela época e a biografia de cada personagem. Mesmo sendo oito artistas é possível conhecer suas trajetórias e, por fim, seus amores. E aqui, ao final, encontra-se o momento mais emocionante do longa. Só pelos os últimos quinze minutos - o relato dos seus relacionamentos e as apresentações finais de Divina Valéria e Marquesa - já valem a ida ao cinema!

O tema é atual, mesmo tratando de um grupo que fez sucesso há tantos anos. A questão da transsexualidade é atual, basta dar uma olhada nos últimos posts deste blog sobre várias produções recentes.

É perceptível em Divinas Divas (assim como em Laerte-se) que conceitos sobre transsexualidade ainda são precários. Existem várias possibilidades e todas elas devem ser repeitadas e ouvidas, mesmo que diante do desconhecido é provável a fuga por respostas definitivas.

Divinas Divas é uma importante produção brasileira tanto pela qualidade técnica ou pela estreia da diretora Leandra Leal. Trata-se de um recorte importante da história do país, incluindo os anos de ditadura e censura que, de forma tão contraditória, foi a época de glória dos shows de transformistas.

3 de julho de 2017

Imortais - peça de teatro - Blog e-Urbanidade

Imortais em cartaz no Sesc Consolação
Foto: Divulgação SESC
Fazer a coberta d´alma é uma cerimônia açoriana, presente também no Sul do Brasil, em que se veste um convidado com as roupas do falecido, servindo suas comidas preferidas e chamando-o pelo nome. Acredita-se que assim a alma finalmente pare de perambular pela terra e siga seu caminho ao além. Tal costume é o ponto de partida da peça do dramaturgo Newton Moreno (Maria do Caritó), Imortais, em cartaz no Sesc Consolação até 30/07/2017.

A potente dramaturgia de Newton mais uma vez embarca em um espaço ficcional onde a tradição emperra e cria padrões extremamente rígidos de convivência e relacionamentos. Imortais conta a história da Mãe (Denise Weinberg) que pretende fazer a coberta d´alma do marido que, segundo ela, ainda perambula pela terra. Sem alguém para ajudá-la, o retorno da Filha (Michelle Boesche) após seis anos distante de casa expõe a difícil relação entre elas.

Com direção de Inez Viana, a estética do espetáculo reflete a solidão dos personagens. Figurino, sonoplastia, visagismo e iluminação constroem um universo épico com a formação de um volume a partir de um tablado em perspectiva, onde está o cemitério que recebe os membros da família.

A criação dos personagens e o jogo de interesses construído na relação da tríade em cena revelam a plasticidade do destino e daquilo que poderíamos chamar de verdade. Dessa forma, a dramaturgia aposta na relação familiar como o grande desencadeador da complexidade humana.

Como a tradição e a incapacidade de se colocar no lugar do outro presente no discurso de Mãe e Filha distanciam, o terceiro personagem transexual (Noivo - Simone Evaristo) parece ser o único capaz de construir a ponte entre essas duas pontas.

Denise Weinberg consegue apresentar uma mãe amarga, mas extremamente real. Obviamente texto e direção corroboram para a construção de uma personagem multifacetada e fica-se, mais uma vez, evidente o grande talento da atriz em assumir personagens complexos (As Criadas, O Testamento de Maria)

Também é preciso dizer que Michelle e Simone assumem com muita competência seus personagens. Incomoda, em poucos momentos, o tom empostado de algumas falas, mas aceitável tanto devido ao universo construído pela direção como pela própria linguagem proposta pelo dramaturgo.

Não tenho dúvida que estamos diante de uma das grandes realizações teatrais de 2017, aqui em São Paulo. Imortais reúne um dos mais competentes dramaturgos brasileiro da nossa geração, em uma direção e qualidade técnica impecável, com um elenco maduro e talentoso. Simplesmente, é imperdível o que está sendo apresentado no Sesc Consolação.

IMORTAIS
Sesc Consolação
Rua Dr. Vila Nova, 245.
6ª, sáb., 21h, dom., 18h.
R$ 40 / R$ 20.
Até 30/7/2017

29 de junho de 2017

Livro Homens Difíceis - Os Bastidores das séries revolucionárias - Blog e-Urbanidade

Capa do livro Homens Difíceis - Os
Bastidores do Processo Criativo de
Breaking Bad, Família Soprano, Mad Men
e outras séries revolucionárias -
de Brett Martin
É fato que a tevê estadunidense passou por uma verdadeira transformação nas últimas décadas, chamada Terceira Onda dos Anos Dourados, e é este o tema central do livro Homens Difíceis — Os Bastidores do Processo Criativo de Breaking Bad, Família Soprano, Mad Men e outras séries revolucionárias, de Brett Martin, editora Aleph.

Homens Difíceis está dividido em três partes. Começa trazendo um relato histórico dos primórdios da tevê americana, antecedendo essa Terceira Onda. Assim é possível acompanhar o trajeto, por exemplo, da HBO que se transformou de uma pequena transmissora de filmes nos Estados Unidos em um padrão de qualidade e produção de conteúdo nos dias atuais.

A segunda parte de Homens Difíceis mergulha na trajetória dos showrunners. Enquanto no cinema quem manda é o diretor, nessas grandes séries a palavra final é desses showrunners, normalmente roteiristas de formação. E uma longa trajetória de David Chase, criador de Família Soprano, é apresentada, contando todos os percursos para se chegar ao grande sucesso que deu início a essa Terceira Onda.

Ainda fica o destaque para algumas séries que apareceram nesse período, liderada por outros grandes showrunners, tais como, Six Feet Under (A Sete Palmos), The Wire (A Escuta), Dexter, Damages e muitos outros.

Depois de certa pavimentação deste universo composto por séries com homens e mulheres difíceis, com questões morais e éticas questionáveis, nascem séries como Breaking Bad e Mad Man, finalizando a última parte do livro.

Homens Difíceis é um livro minucioso e, algumas vezes, o excesso de detalhes com nomes, fatos e acontecimentos usados para mostrar a qualidade da pesquisa feita gera um cansaço ao leitor. Parece que o grande problema da versão brasileira esteja na tradução, faltando um melhor acabamento literário, a fim de deixar menos confuso.

Dois paradigmas são claramente expostos para mostrar o poder dessas séries e de seus showrunners na tevê e no mercado de consumo de massa e entretenimento. O primeiro é a alteração do entendimento que produção de qualidade não está apenas no cinema, mas é possível também encontrar na televisão. Isso é perceptível na migração de grandes atores para esse mercado.

E ainda,  a mudança do tipo de personagem apresentado nessas séries, ou seja, homens e mulheres que passam a ter o papel de quase anti-heróis diante de suas complexidades pessoais, familiares e profissionais. Basta assistir a primeira temporada, mais especificamente o terceiro episódio de Breaking Bad, para entender como o protagonista pode fritar um traficante com ácido na banheira sem afugentar sua rede de telespectadores.

É verdade que a arte, realidade, cultura de massa, entretenimento não são coisas isoladas e não podem ser julgadas como melhores ou piores. Todas elas são (re)construídas a todo momento pelo movimento da sociedade, dialeticamente (para ser bem acadêmico!)

Esse novo universo, então, composto de personagens cada vez mais humanizados, com várias camadas e vertentes, torna Homens Difíceis um leitura válida. Isso para quem gosta de boas histórias, se interessa por televisão e quer entender como tais níveis de audiência podem revelar a sociedade (sua arte, realidade, cultura de massa, etc) nos dias atuais. E ai, vale dizer que não se limita a compreender apenas o mercado americano, mas sem dúvida o brasileiro que é consumidor deste produto de entretenimento.

Boa leitura.

Capa comum: 368 páginas
Editora: Aleph; Edição: 1ª (4 de fevereiro de 2014)
Idioma: Português

25 de junho de 2017

A Glória e A Graça (disponível no NOW) - Blog e-Urbanidade

A Glória e A Graça - filme que retrata o retorno
da irmã travesti vivida por Carolina Ferraz
A Glória e A Graça conta a história de duas irmãs em que uma delas descobre estar próxima da morte, acometida de um aneurisma. Então, precisa ter alguém para cuidar dos seus filhos e sua única opção parece ser Luiz Carlos, agora Glória (Carolina Ferraz). Esse bem armado argumento na verdade decepciona e acaba sendo um raso e enviesado olhar sobre a questão do transgênero no Brasil.

Para começar o roteiro de Lusa Silvestre (O Roubo da Taça, E Aí... Comeu e Estômago) e Mikael de Albuquerque (Real - O Plano por Trás da História) é um aglomerado de atrapalhadas e falas nada aprofundadas dos personagens. Desde a cena rápida em que Graça (Sandra Corveloni) descobre em uma só tacada que tem um aneurisma e só tem o irmão para dar conta disso à cena final, não dá para ficar sem dar algumas risadas diante das escolhas do script.

Também os diálogos incomodam em A Glória e A Graça. Percebe-se que Sandra consegue dar uma melhor embocadura às suas falas, mas dá pena nas crianças e adolescentes com seus diálogos de adulto. O ápice desse desconforto está na cena da biblioteca em que Papoula (Sofia Marques) recebe a cantada de um amigo adolescente.

A direção de Flávio R. Tambellini (Vidas Partidas, O Concurso e Carandiru) também é um pouco confusa, principalmente na sua escolha estética em usar a saturação de cores. Na cena do primeiro encontro das irmãs, no parque. é marcada por uma nuvem estranha sobre elas que nada acrescenta ao roteiro.

Enquanto isso o roteiro de A Glória e A Graça aposta numa visão quase de desserviço ao drama dos transgêneros. A vida pregressa da travesti Glória na Europa e sendo atualmente dona do restaurante parece colocar no esforço próprio a única e necessária forma de se tornar uma pessoa bem sucedida. Inclusive quando aparece Lea T, em uma participação que espera-se que dê uma guinada no longa-metragem, mostra que a questão da prostituição seja apenas uma escolha e não uma necessidade diante das reais dificuldades de se inserir no mundo do trabalho, por exemplo.

Se as irmãs se reúnem apenas porque Graça não tinha com quem deixar os filhos após sua morte, o conflito da relação entre elas e sua família se resume em lembranças da infância, sem revelar traumas, medos e inseguranças, que, sem dúvida, são muitos para um travesti. E chega-se ao cúmulo quando Glória diz que roubava as calcinhas da irmã e, em gargalhadas, promete comprar uma coleção francesa para pagá-la.

Por fim, a escalação de Carolina Ferraz para interpretar Glória. Com certeza um risco assumido pela atriz, porém me senti assistindo àqueles filmes e peças de teatro que usavam o blackface para representar os negros. Carolina tenta e quando a projeção inicia não dá para deixar de torcer pela atriz. Mas, diante de tudo já exposto aqui, percebe-se que não é isso que acontece.

O filme está disponível no Now, recomendo desde que a proposta seja fazer uma análise em como a cultura de massa brasileira (sem nenhum juízo de valor!) se propõe a se apropriar do tema, porém veja antes (ou depois) algumas produções comentadas aqui no blog: Laerte-se, Transparent e São Paulo Hifi (que comentarei em breve).

Boa sorte!

24 de junho de 2017

Other People disponível no NetFlix - Blog e-Urbanidade

Jessse Plemons e Molly Shannon
interpretam mãe e filho de
forma hilária e emocionante
Other People, disponível no NetFlix, conta a história de David (Jesse Plemons), escritor e gay, que volta para Sacramento para cuidar da mãe (Molly Shannon) em seu último ano de vida, diagnosticada com câncer. Essa dramédia de um pouco mais de 90 minutos, além de mostrar o declínio e o drama de uma doença tão avassaladora, tem como principal tema a relação mãe e filho.

Chris Kelly, diretor e roteirista de Other People, assina seu filme de estreia, após carreira de roteirista de televisão, como do show Saturday Night Live. Com 33 anos, espera-se que o rapaz surpreenda ainda muito em próximas produções, diante do seu ótimo script apresentado aqui.

O elenco de suporte é bem escalado, mas os grandes trunfos de Other People são as interpretações de Jesse e Molly em todos os momentos e camadas dos seus respectivos personagens. Aliás, é preciso dizer que Molly, que vem de longa experiência em comédias e no próprio Saturday Night Live, consegue mostrar uma Joanne tão real diante da sua doença que é impossível não se emocionar.

O filme estreou no festival de Sundance de 2016 e os atores Jesse e Molly ganharam o prêmio de melhor ator e atriz no Film Independent Spirit Award em 2017. Também Chris levou como melhor roteiro estreante.

Em tempo, no elenco está também Zach Woods (de Silicon Valley e The Office) em uma participação rápida, interpretando o namorado de David.

Vale a pena colocar na lista dos filmes a serem vistos no NetFlix. A história é mesmo emocionante e é possível dar algumas boas gargalhadas com a família de David e Joanne. O estranhamento e a dificuldade de conviver entre eles após tantos anos fora, tendo como ponto de contato apenas a mãe, torna Other People uma boa escolha para quem se interessa por relações familiares, amores, aceitação e autoaceitação.

19 de junho de 2017

Capitão Fantástico - Blog e-Urbanidade

Capitão Fantástico (Telecine- NOW) estreiou no final de 2016 e Viggo Mortensen já foi indicado ao Oscar 2017 na categoria de Melhor Ator. O filme parte  da história de uma família isolada em uma fazenda, praticamente sem interação com o mundo exterior. Os seis filhos de Ben  (Viggo) têm aulas e treinamento diário tornando-as crianças extremamente preparadas cognitiva e fisicamente.

Assim que a projeção de Capitão Fantástico se inicia o expectador passa a ser confrontado sobre os pontos de vistas positivos e negativos da empreitada do protagonista. E tudo se desmorona quando sua esposa, cúmplice no projeto, falece. A ida desta família à cidade espanta e, ao mesmo, levam à tona os conflitos dos filhos e dessa escolha.

O roteiro e direção de Matt Ross (ator que estrela Silicon Valley) têm grandes imagens, bonitas tomadas e aposta na excentricidade da família diante do mundo externo. Porém, o grande trunfo do roteiro está em apresentar uma crítica ao mundo contemporâneo e suas nuances, diante do mundo ideal, defendido por grande teóricos. Assim, essas importantes reflexões podem ser boas críticas ao mundo atual, mas não conseguem, por outro lado, dar conta de suas contradições.

Outro ponto de destaque do roteiro de Capitão Fantástico é a capacidade de apresentar seus personagens em diferentes camadas, não caindo em uma construção fácil e maquiavélica. Dessa forma, as interpretações de todo o elenco é muito eficiente. Mesmo que Viggo tenha levado a indicação ao Oscar e esteja muito bem, Casey Affleck  - Manchester à Beira Mar - não levou a melhor injustamente.

Capitão Fantástico é um achado diante de tantas verdades definitivas que as pessoas vivem soltando por aí. Necessário para quem leu grande pensadores, acredita nas suas críticas e talvez não tenha clareza nas suas limitações. Por outro lado, importante para aqueles que apostam no mundo capitalista, pois a grande verdade é que ninguém triunfou!

13 de junho de 2017

Transparent da Amazon disponível no Brasil - Blog e-Urbanidade

Transparent chega ao Brasil em plataforma
da Amazon
Finalmente já pode ser vista uma das séries mais comentadas e de sucesso nos Estados Unidos, Transparent (Amazon Prime Video) que conta a história de um pai de família que aos sessenta anos se assume transgênero.

Disponíveis as três temporadas, Transparent levou, por exemplo, o Globo de Ouro de Melhor Ator e Melhor Direção em 2015, após o primeiro ano de estreia, evidenciando a qualidade do show.

Na verdade, o trunfo da série está no universo criado ao mostrar a família Pfefferman e suas disfunções afetivas. Morton (ou Maura) é pai de três filhos que, na primeira temporada, apontam para as suas dificuldades de relacionamento. Em certo momento fica-se na dúvida se o conflito central da série é mesmo a questão do pai ou das relações da família, tanto com seus parceiros ou entre si.

Essas várias camadas e conflitos ficam evidentes, por exemplo, no fechamento do piloto quando Morton aparece a primeira vez vestido de mulher diante de alguém da família e surpreende um dos seus filhos aos beijos com um antigo amor, do mesmo sexo.

Transparent é uma série de 30 minutos e perfeitamente enquadrável como dramédia. A busca pela transparência, ou seja, ser visto como se é de verdade é um tema experimentado pela criadora Jill Soloway, que além de ter assinado séries como Sete Palmos (HBO) e O Mundo de Tara (FOX), passou por situação similar com seu pai. Além disso, quem assistiu essas séries sabe da capacidade da criadora em entender os mecanismos e dramas familiares.

Por fim, vale a pena lembrar que a plataforma Amazon Prime Video está disponível no Brasil para download em celulares e tablets. Infelizmente, a plataforma não está disponível, por exemplo, em Smart tvs. A boa notícia é que está com preços promocionais nesse início de operação.