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Planeta dos Macacos: a Guerra – um blockbuster corajoso – Blog e-Urbanidade

Foto: Divulgação

Há quem diga que Hollywood vive uma das maiores crises criativas da sua história. Fato que ganha força vide enxurrada de reboots e adaptações de quadrinhos que inundam os cinemas mundo a fora. Na tentativa de criar franquias, que possam render mais que “apenas um filme” muitas vezes os estúdios acabam tropeçando em suas próprias ambições e criam obras incompletas, que nunca viram a sua conclusão por dependerem do sucesso do primeiro filme para a produção de suas sequências.

A franquia Planeta dos Macacos sofreu desse mal em um passado recente, no filme no mínimo equivocado dirigido por Tim Burton, em 2001. Mas a meca do cinema não desiste tão fácil dos seus mitos e eis que dez anos depois os estúdios FOX resolvem reiniciar novamente a história dos primatas, que chega à conclusão com o longa o Planeta dos macacos: a guerra. E não é que o saldo é pra lá de positivo?

Situado alguns anos após Planeta dos Macacos: o confronto, o filme já inicia com uma sequência que nos mostra a caça aos macacos promovida por um pelotão de homens liderados pelo Coronel vivido por Woody Harrelson, nos imergindo no cenário pós-apocalíptico de um mundo devastado e dividido entre homens e macacos. Mas se esse começo eletrizante faz jus ao título do filme, o que vemos em seguida é uma narrativa que flerta muito mais com o contemplativo que com a ação, quebrando um pouco as expectativas de quem vai ao cinema esperando épicos confrontos entre humanos e macacos.

Ciente de estar encerrando uma trilogia que, se não tem o mesmo impacto daquela original dos anos 70 ao menos a trouxe para os tempos atuais com bastante relevância, o Diretor Matt Reeves (de Cloverfileld: o Monstro e o Planeta dos Macacos: o confronto) não tem pressa em contar sua história, filmando com imponência e reverência, nos transportando a momentos sublimes de um cinema de poucas palavras mas muitos significados, flertando com diversos gêneros (filmes de holocausto, bíblicos e pós-apocalítcos) dentro de uma mesma narrativa.

Do ponto de vista técnico, o filme entrega o seu episódio certamente mais esmerado. Desde a fotografia do veterano Michael Seresin, que também trabalhou no capítulo anterior da saga, à trilha sonora de Michael Giacchino, citados por muitos como o novo John Williams, tudo ajuda a trazer significado à história, tendo presença sem desempenharem o papel de muleta à narrativa. Um ponto à parte que certamente merece destaque é o trabalho de dar vida aos símios.

O macaco César e seu bando nunca pareceram tão reais, fazendo-nos esquecer por diversos momentos de que estamos vendo ali um personagem digital. Não estranha se próximo ano Andy Serkis, o ator por trás das expressões de César, for cotado para a premiação da academia, pois do ponto de vista da percepção já não existem mais fronteiras visíveis entre os personagens de carne e osso e os zeros e uns. Aliás, um dos poucos pontos fracos do filme está justo no núcleo humano. Woody Harrelson se esforça para tentar trazer gravidade ao seu personagem, inspirando-se visivelmente no Coronel Kurtz, de Marlon Brando. Mas Harrelson é Brando e por vezes o personagem periga escorregar na caricatura.

O filme também possui algumas “barrigas” e extende a sua narrativa um pouco mais do que deveria. Nada que comprometa o resultado final, que coloca a película como o Blockbuster mais corajoso do ano até o momento. Agora é esperar o que Reeves nos reserva para sua nova empreitada: o novo filme solo do Homem-morcego.

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Rodrigo Vieira

Designer por formação, cinéfilo por paixão, acredita que design e cinema no fundo são sobre mesma coisa: contar histórias. Desde as idas constantes aos cinemas do centro da cidade na infância, ele vê no cinema a fogueira que unia as pessoas em torno de seus mitos. Pai da Isis, adora tapioca com café com leite e as manhãs de domingo na praia.

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