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120 Batimentos por Minuto – Blog e-Urbanidade

Filme arrebata ao contar sobre a epidemia e tratamento da AIDS na França nos anos de 1990

Os atores Nahuel Pérez Biscayart e Arnaud Valois vivem o casal central. Foto: Divulgação

120 Batimentos por Minuto é o representante francês ao Oscar 2018 na categoria de filme estrangeiro. Os 140 minutos de projeção contam a história do grupo ativista Act Up, no final dos anos 1990, que luta por políticas públicas de prevenção e tratamento da AIDS durante o governo de Mitterrand. Entre reuniões e piquetes nasce o amor entre Sean (Nahuel Pérez Biscayart) e Nathan (Arnaud Valois).

O diretor e roteirista Robert Campillo tem experiência em narrativas que misturam realidade e ficção, dando um tom quase documental às suas histórias. No seu currículo estão scripts como Entre Os Muros da Escola e Além das Ilusões (estrelado por Natalie Portman).

120 Batimentos por Minuto consegue subverter todas as possibilidades de clichês que a história poderia se render. O romance de Sean e Nathan é apenas o pano de fundo para apresentar o horror da epidemia da AIDS nos anos de 1980 e 1990, situação praticamente desconhecida pelas gerações mais novas. E para isso, o uso de fusões de imagens, tempos e cenas dão vitalidade e uma estética inovadora a filmagem. Não há espaço no roteiro para didatismo, mesmo que exista um caráter educacional e informativo em alguns momentos.

Entre as fusões destaque para o piquete que abre o filme e a reunião do Act Up avaliando seus efeitos; a longa cena com o casal na cama entre falas sobre a doença, histórias pessoais e de amor e o toque entre eles; e, por fim, a sequência que encerra a película. O final arrebata e é extremamente inovador, porém 120 Batimentos por Minuto poderia ser encurtado em alguns minutos.

Além de uma história bem contada, as interpretações são homogêneas, com o elenco confortável em suas personagens. Entre eles, destaque para Adèle Haenel (e sua Sophie sangue-nos-olhos), Antoine Reinartz (o enigmático Thibault), Aloise Sauvage (a correta Eva) e Catherine Vinatier (a mãe Helène).

O filme traz um olhar necessário, principalmente para as novas gerações, sobre a epidemia da AIDS e da importância de políticas públicas para o tratamento do HIV ainda hoje. Mesmo que, por acaso, 120 Batimentos por Minuto não chegue ao Oscar, isso é irrelevante diante da potência da narrativa, a inovadora estética do diretor e a relevância histórica dos fatos.

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Celso Faria

Idealizador e responsável pelo e-Urbanidade. Escritor e agitador cultural. Durante o dia trabalha com muitas planilhas financeiras para depois acompanhar o que acontece no universo cultural e de entretenimento de Sampa e de outras cidades.

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