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“Céus” é teatro em essência – Blog e-Urbanidade

Foto: Leo Aversa

Céus reúne, mais um vez, o ator e produtor Felipe de Carolis com o diretor Aderbal Freire-Filho em torno de um texto do dramaturgo libanês Wajdi Mouawad, autor do sucesso Incêndios. A montagem em cartaz no Teatro Vivo traz o tema do terrorismo, indo além da discussão das divisões territoriais e religiosas.

Wajdi apresenta uma dramaturgia nada simples com as personagens em uma espécie de bunker, desvendando um iminente atentado terrorista. Especializados em linguagem, informática e criptografia, o drama inicia quando um dos integrantes do grupo se suicida, sendo substituído por Clément (Felipe)

Algoritmos, criptografias e silogismos são termos presentes nas falas das personagens e recebem definição no programa da peça. Em certo momento Céus toma ares de Código da Vinci diante de símbolos, significados e temas nem tão fáceis de serem absorvidos em uma única apresentação.

Para decifrar linguagens e obras de artes, Aderbal toma partido de muitas imagens e projeções que interagem com os atores. Assim, os conceitos vão sendo compreendidos, mas alguns detalhes, em definitivo, são perdidos diante de tanta informação. Ao espectador cabe se concentrar na insatisfação da juventude em um mundo que a castigou e também nas questões sobre beleza e arte.

Céus faz parte da tetralogia de Wajdi chamada Sangue das Promessas que, além de Incêndios, fazem parte Litoral e Florestas. Vale destacar que Incêndios foi premiadíssima em todo o mundo, chegando a ser adaptada ao cinema e concorrendo ao Oscar de Melhor Filme Estrangeiro em 2011. No Brasil foi estrelada por Felipe e Marieta Severo, em 2013, e recebeu mais de 50 indicações em prêmios em São Paulo e Rio de Janeiro.

A montagem parte da poética da cena ilimitada que funciona muito bem para narrar e como proposta estética. A variabilidade dos recursos dramáticos colaboram para expor os dramas de Clément, Charlie (Marco Antônio Pâmio), Balise (Isaac Bernat), Vicent ( Rodrigo Pandolfo) e Dolorosa (Karen Coelho). Pouquíssimas vezes é possível ver no teatro um elenco, composto por atores com diferentes experiências, estar tão homogêneo em cena, com silhuetas exatas.

Como poderia dizer Sábato Magaldi, Céus apresenta o conceito de teatro em essência, ou seja, bom texto, bom elenco e uma direção não egocêntrica e que parece desaparecer, como convém, atrás dos atores.

Serviço:
Céus (Temporada até 04/03/2018)
Teatro VIVO – Av. Dr. Chucri Zaidan, 2460 (antigo 860) – Morumbi
Sexta às 20h | Sábado às 21h | Domingo às 18h
Sexta R$ 50 | Sábado e Domingo R$ 60
14 anos
Bilheteria: de terça a domingo, a partir das 14h.
Vallet: R$ 25.
www.ingressorapido.com.br

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Celso Faria

Idealizador e responsável pelo e-Urbanidade. Escritor e agitador cultural. Durante o dia trabalha com muitas planilhas financeiras para depois acompanhar o que acontece no universo cultural e de entretenimento de Sampa e de outras cidades.

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