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A Forma da Água é o grande favorito da noite do Oscar 2018 – Blog e-Urbanidade

Richard Jenkins e Sally Hawkins concorrem ao Oscar. Foto: Divulgação – Fox Film

Esporadicamente a estética romântica funciona muito bem no cinema e é exatamente isso que acontece em A Forma da Água, filme que leva 13 indicações ao Oscar 2018. Dirigido por Guilhermo del Toro, o longa-metragem acerta na capacidade de desconstruir o casal perfeito, sem perder o foco na idealização, tanto do par romântico como do próprio amor.

É verdade que várias produções foram felizes nesse processo de rompimento com a figura do par ideal tanto em clássicos do teatro, O Fantasma da Ópera, ao do cinema, A Bela e a Fera e Shrek. Desta vez, a jornada é da muda Elisa (Sally Hawkins), a simpática funcionária da limpeza de um centro de pesquisa americano na década de 1960 que se apaixona por um horrível monstro, preso pelos cientistas.

Em tempos de guerra fria, a estética escura, em tom verde e vermelho, é o pano de fundo para essa história aparentemente simples e cheia de clichês, mas que consegue emocionar e cativar pela relação de cumplicidade imediata com a protagonista. Quando Elisa dá os seus primeiros passinhos de dança no corredor do prédio, onde mora com o vizinho Giles (Richard Jenkins), ela carrega todos espectadores consigo.

As treze indicações ao Oscar 2018 são: Filme, Direção (Guilhermo), Atriz (Sally), Ator Coadjuvante (Richard), Atriz Coadjuvante (Octavia Spencer), Roteiro original (Guilhermo e Vanessa Taylor), Fotografia, Direção de arte, Figurino, Edição, Trilha sonora (Alexandre Desplat), Mixagem de som e Edição de som.

A quantidade de indicações a prêmios técnicos corrobora com o cuidado estético do longa-metragem. Mas seria imperdoável não destacar a deliciosa trilha sonora de Desplat que vai de Carmem Miranda às referências do cinema musical dos anos de 1940 e 1950.

Del Toro é feliz em várias escolhas em A Forma da Água, já presentes em outras obras suas como O Labirinto do Fauno e Hellboy (1 e 2). Ao retratar o monstro da Amazônia em plena Guerra Fria, o diretor é capaz de misturar realidade e fantasia em tom de fábula, porém verossímil.

Por outro lado, é bem provável que Sally saia da festa do Oscar sem o prêmio,  mas grande parte do sucesso da película se deve a exata silhueta da sua fascinante heroína.

No mais é comprar pipoca, talvez levar uns lenços, para os mais sensíveis, e desfrutar dessa produção que se alimenta da estética do romantismo, mas inova no ponto de vista da sua protagonista. Uma mulher plena e feliz que encontra o amor, sem o ranço de ser a tampa da panela ou a metade da laranja de alguém. Empoderamento é isso, certo?

E não deixem de ver.

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Celso Faria

Idealizador e responsável pelo e-Urbanidade. Escritor e agitador cultural. Durante o dia trabalha com muitas planilhas financeiras para depois acompanhar o que acontece no universo cultural e de entretenimento de Sampa e de outras cidades.

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